Setembro
Processos para afastar os maus espíritose não esperaram que houvesse médiuns escreventes para agir. A prova disso é que, em todos os tempos, os homens cometeram inconsequências, razão por que dizemos que sua influência independe da faculdade de escrever. Essa faculdade é um meio de reconhecer tal influência; de saber quais são os que vagueiam em redor de nós e que se ligam a nós. Pensar que nos podemos subtrair a isso, abstendo-nos de escrever, é fazer como as crianças que fechando os olhos pensam escapar de um perigo. Ao nos revelar aqueles que temos por companheiros, como amigos ou inimigos, a escrita nos oferece, por isso mesmo, uma arma para combater estes últimos, pelo que devemos agradecer a Deus. Em lugar da visão para reconhecer os Espíritos, temos as comunicações escritas, pelas quais eles mostram o que são. Isto para nós é um sentido que nos permite julgá-los. Repelir esse sentido é comprazer-se em ficar cego e exposto ao engano sem controle.
Confissão de Voltaire
A propósito da entrevista de Voltaire e de Frederico, que publicamos no último número da Revista, um dos nossos correspondentes de Boulogne nos envia a seguinte comunicação, que publicamos com tanto maior satisfação quanto apresenta um aspecto eminentemente instrutivo do ponto de vista espírita. Nosso correspondente fez algumas reflexões prévias, que não queremos omitir.
“Se existe um homem, mais que qualquer outro, que deve sofrer castigos eternos, esse homem é Voltaire. A cólera e a vingança de Deus persegui-lo-ão para sempre. É o que nos dizem os teólogos da velha escola.
“Que dizem agora os mestres da Teologia moderna? É possível, dizem eles, que desconheçais o homem, não menos que o Deus de que falais. Evitai as paixões inferiores do ódio e da vingança e não maculeis o vosso Deus com isso. Se Deus se inquieta com esse pobre pecador, se toca nesse inseto, será para arrancar-lhe o ferrão, para endireitar-lhe a cabeça exaltada e o coração transviado. Digamos ainda que Deus, que lê nos corações de modo diverso de vós, encontra o bem onde encontrais o mal. Se dotou aquele homem de um grande gênio foi em benefício da raça, e não em seu prejuízo. Que importa, então, as suas primeiras extravagâncias e as suas atitudes de franco atirador entre vós? Uma alma dessa têmpera não poderia proceder de outro modo: a mediocridade era-lhe impossível, fosse no que fosse.
Agora que se orientou; que jogou fora as patas e os dentes de potro indomável na sua pastagem terrena; que vem a Deus como um dócil corcel, mas sempre grande, é tão soberbo para o bem quanto era para o mal.
“No artigo que segue veremos de que maneira se operou essa transformação. Veremos nosso garanhão dos desertos, com a crina ondulante, as narinas ao vento, correndo através dos espaços do Universo. É que lá, com o pensamento solto, encontrou essa liberdade que era a sua essência e que sorveu a plenos pulmões, com essa respiração com que se haure a vida!
“E o que lhe aconteceu?
“Perdeu-se e confundiu-se. O grande pregador do nada achou, enfim, o nada, mas não como o compreendia. Humilhado, agastado consigo mesmo, transtornado com a sua pequenez, ele que se julgava tão grande foi aniquilado diante de seu Deus.
Ei-lo de rosto no chão, à espera de sua sentença. Essa sentença diz: ‘Levanta-te, meu filho!’, ou ‘Vai-te, miserável!’ O veredicto será encontrado na comunicação que se segue.
“Esta confissão de Voltaire terá mais valor na Revista Espírita, visto que ela nola mostra em seu duplo aspecto. Vimos que alguns Espíritos naturalistas e materialistas, de cabeça tão virada quanto seu mestre, mas sem o sentimento dele, persistiam em vangloriar-se, no seu cinismo. Que fiquem no seu inferno enquanto lhes aprouver desafiar o céu e menoscabar tudo o que constitui a felicidade do homem, é lógico, pois aí é o seu merecido lugar. Mas também achamos lógico que aqueles que reconhecem os seus erros sejam recompensados. Assim, creio que não nos arvoramos em apologistas do velho Voltaire. Aceitamo-lo apenas no seu novo papel e nos alegramos com a sua conversão, que glorifica Deus e não pode deixar de impressionar vivamente aqueles que ainda hoje se deixam arrastar pelos seus escritos. Lá está o veneno. Aqui está o antídoto.
“Esta comunicação, traduzida do inglês, foi extraída da obra do juiz Edmonds, publicada nos Estados Unidos. Tem a forma de uma conversa entre Voltaire e Wolsey, o célebre cardeal inglês do tempo de Henrique VIII. Dois médiuns atuaram na recepção do diálogo”
Voltaire ─ Que imensa revolução ocorreu no pensamento humano desde que deixei a Terra!
Wolsey ─ Com efeito, essa infidelidade de que vos censuravam então, cresceu desmesuradamente desde aquela época. Não que ela tenha hoje tantas pretensões, mas é mais profunda e mais universal, e a menos que consigam detê-la, ameaça tragar a Humanidade no materialismo, mais do que o fez durante séculos. Voltaire ─ Infidelidade em que e para com a quem? Com referência à lei de
Deus e do homem? Pretendes acusar-me de infidelidade porque não me foi possível submeter-me aos acanhados preconceitos das seitas que me cercavam? É que a minha alma buscava maior amplidão de pensamento e um raio de luz que fosse além das doutrinas humanas. Sim, minha alma entenebrecida tinha sede de luz. Wolsey ─ Eu também só queria falar da infidelidade que vos era atribuída, mas, infelizmente, não sabeis quanto essa imputação ainda vos pesa. Eu não vos quero censurar, mas apenas manifestar-vos o meu pesar, porque o vosso desprezo pelas doutrinas em voga, que eram apenas materiais e inventadas pelos homens, não poderia prejudicar um Espírito da envergadura do vosso. Mas essa mesma causa que agia sobre o vosso Espírito, operava igualmente sobre outros, demasiado fracos e pequenos para chegarem aos mesmos resultados que vós. Eis, pois, como aquilo que em vós era apenas uma negação dos dogmas dos homens se traduzia nos outros pela negação de Deus. Dessa fonte é que se espalhou com rapidez terrível a dúvida sobre o futuro do homem. Eis também por que o homem, limitando a este mundo todas as suas aspirações, caiu cada vez mais no egoísmo e no ódio ao próximo. É a causa, sim, a causa desse estado de coisas que deve ser procurada, pois uma vez encontrada, o remédio será relativamente fácil. Dizei-me: conheceis essa causa? Voltaire ─ Na verdade, havia nas minhas opiniões, tais como foram dadas ao mundo, um sentimento de amargura e de sátira. Mas notai que então eu tinha o Espírito dilacerado, por assim dizer, por uma luta interior. Eu olhava a Humanidade como se me fosse inferior em inteligência e em perspicácia. Via apenas marionetes que podiam ser conduzidas por qualquer homem dotado de vontade forte e me indignava ao ver que esta Humanidade, arrogando-se uma existência imortal, era modelada com elementos ignóbeis. Seria possível crer que um ser dessa espécie fizesse parte da Divindade e que pudesse com suas mesquinhas mãos assenhorear-se da imortalidade? Essa lacuna entre duas existências tão desproporcionadas me chocava e eu não podia preenchê-la. No homem eu via apenas o animal e não o Deus.
Reconheço que em alguns casos minhas opiniões tiveram influência nefasta. Tenho, porém, a convicção de que, sob outros aspectos, tiveram seu lado bom. Elas puderam levantar várias almas que se haviam degradado na escravidão. Quebraram as cadeias do pensamento e deram asas a grandes aspirações. Mas, ah! Eu também, que planava tão alto, perdi-me como os outros.
Se em mim a parte espiritual se houvesse desenvolvido tão bem quanto a material, eu teria podido raciocinar com mais discernimento. Confundindo-as, perdi de vista essa imortalidade da alma, que tanto procurava e desejava encontrar. Assim, tão empolgado me achava nessa luta com o mundo, que cheguei, quase contra minha vontade, a negar a existência de um futuro. A oposição que fazia às tolas opiniões, à cega credulidade dos homens, impelia-me a negar e ao mesmo tempo a contradizer todo o bem que a religião cristã poderia fazer. Contudo, por mais descrente que fosse, sentia que era superior aos meus adversários; sim, muito além do alcance da sua inteligência. A bela face da Natureza revelava-me o Universo, inspirava-me o sentimento de uma vaga veneração, misturada ao desejo de uma liberdade sem limites, sentimento que eles jamais experimentavam, agachados que estavam nas trevas da escravidão.
Minhas obras tiveram, pois, seu lado bom, porque sem elas o mal que teria atingido a Humanidade, por falta de qualquer oposição, teria sido pior. Muitos homens não aceitavam mais a servidão; entre eles, muitos se libertaram. Se aquilo que eu pregava lhes deu um único pensamento elevado, ou lhes fez dar um único passo no caminho da Ciência, não era isto abrir-lhes os olhos para a sua verdadeira condição? O que eu lamento é ter vivido tanto tempo na Terra sem saber o que teria podido ser e o que teria podido fazer. O que não teria feito se tivesse sido abençoado por essas luzes do Espiritismo, que se derramam hoje sobre os Espíritos dos homens!
Descrente e vacilante, entrei no mundo espírita. Minha presença, por si só, bastava para espantar qualquer clarão que tivesse podido iluminar a minha alma obscurecida; era a parte material de meu ser que se havia desenvolvido na Terra.
Quanto à parte espiritual, esta se havia perdido em meio aos meus transviamentos, na busca da luz; encontrava-se como que encerrada numa prisão de ferro. Altivo e zombeteiro, ali me iniciava, nem conhecendo, nem procurando conhecer esse futuro que tanto havia combatido quando no corpo. Mas anotemos aqui esta confissão: houve sempre em minha alma uma débil voz que se fazia ouvir através dos grilhões materiais e que pedia luz. Era uma luta incessante entre o desejo de saber e uma obstinação em não saber. Assim, pois, minha entrada estava longe de ser agradável. Não acabava eu de descobrir a falsidade e o nada das opiniões que havia sustentado com todas as forças de minhas faculdades? Depois de tudo, o homem se reconhecia imortal e eu não podia deixar de ver que, igualmente, deveria existir um Deus, um Espírito imortal que estava à frente e que governava esse espaço ilimitado que me circundava.
Como viajava incessantemente, sem me conceder nenhum repouso, a fim de me convencer de que este mundo onde eu me encontrava bem que poderia ainda ser um mundo material, minha alma lutou contra a verdade que me esmagava! Eu não pude me realizar como um Espírito que acabara de deixar a sua morada mortal! Não houve ninguém com quem pudesse estabelecer relações, porque eu tinha recusado a todos a imortalidade. Não havia repouso para mim. Eu estava sempre andando a esmo e duvidando. Em mim o Espírito, tenebroso e amargo, era como um maníaco, incapaz de seguir uma orientação ou de se deter.
Foi assim, zombeteiro e desafiador, como já disse, que abordei o mundo espírita. A princípio fui levado para longe das habitações dos Espíritos, e percorri o espaço imenso. A seguir foi-me permitido lançar o olhar sobre as construções maravilhosas habitadas pelos Espíritos e, com efeito, elas me pareceram surpreendentes. Fui arrastado de um lado para o outro por uma força irresistível. Era obrigado a ver, e ver até que a minha alma ficasse deslumbrada pelos esplendores e esmagada ante o poder que controlava tais maravilhas. Por fim, tive ímpetos de esconder-me e de alojar-me nas cavidades das rochas, mas não o consegui.
Foi então que o meu coração começou a sentir a necessidade de expandir-se. Tornava-se urgente uma companhia qualquer, porque eu me sentia queimar pelo desejo de confessar o quanto tinha sido induzido em erro, não pelos outros, mas por meus próprios sonhos. Não me restava mais nenhuma ilusão sobre a minha importância pessoal, porque sentia imensamente a minha pequenez neste grande mundo dos Espíritos. Eu tinha, enfim, caído de tal modo no cansaço e na humilhação, que me foi permitido reunir-me a alguns habitantes. Foi a partir desse momento que pude avaliar a posição em que me havia colocado na Terra e a que disso resultara para mim no mundo espírita. Imaginai se esta apreciação podia ser risonha.
Uma revolução completa, uma transformação de ponta a ponta ocorreu no meu organismo espírita e, de mestre que eu era, tornei-me o mais ardente dos discípulos.
Com a expansão intelectual que em mim encontrava, que progresso eu pude fazer! Minha alma se sentia iluminada e abrasada pelo amor divino. Suas aspirações à imortalidade, de constrangidas que eram, tomaram gigantesca expansão. Eu via quão grandes tinham sido os meus erros e quão maior devia ser a reparação para expiar tudo quanto tinha feito ou dito e que tivesse podido seduzir ou enganar a Humanidade. Como são magníficas essas lições da sabedoria e da beleza celeste!
Ultrapassam tudo quanto na Terra teria podido imaginar.
Em resumo, vivi bastante para reconhecer na minha existência terrena uma guerra encarniçada entre o mundo e a minha natureza espiritual. Lamentei profundamente as opiniões que expendi e que desviaram muita gente; mas, ao mesmo tempo, é penetrado de gratidão ao Criador, o infinitamente sábio, que sinto ter sido um instrumento para auxiliar os Espíritos dos homens a voltar-se para o exame e o progresso.
OBSERVAÇÃO: Nenhum comentário adicionaremos a esta comunicação, cuja profundeza e cujo alcance todos apreciarão, e na qual se encontra toda a superioridade do gênio. É possível que jamais tenha sido dado um quadro tão grandioso e impressionante do mundo espírita e da influência das ideias terrenas sobre as ideias de além-túmulo. Na conversa que publicamos em nosso número anterior encontra-se o mesmo lastro de ideias, embora menos desenvolvidas e expressas menos poeticamente. Aqueles que apenas apreciam a forma talvez digam que não reconhecem essas duas comunicações como sendo do mesmo Espírito, e que sobretudo a última não lhes parece à altura de Voltaire. Disso concluirão que uma delas não é dele.
Certamente, quando o chamamos, ele não nos trouxe o seu registro civil, mas quem quer que veja além da superfície ficará tocado pela identidade de pontos de vista e de princípios existentes entre essas duas comunicações, obtidas em épocas diversas, a uma enorme distância e em línguas diferentes. Se o estilo não é o mesmo, não há contradição de pensamento, e isto é o essencial. Mas se foi o mesmo Espírito que falou nas duas comunicações, por que é tão explícito e poético em uma delas, quanto lacônico e vulgar na outra? É preciso não ter estudado os fenômenos espíritas para não o compreender. O fato se deve à mesma causa que leva um Espírito a dar encantadoras poesias por um médium e não poder ditar um único verso por outro.
Conhecemos médiuns que absolutamente não fazem versos, mas recebem poesias admiráveis, assim como há outros que jamais aprenderam desenho e que no entanto desenham coisas maravilhosas. É necessário, pois, reconhecer que, abstração feita das qualidades intelectuais, há nos médiuns aptidões especiais que os tornam, para certos Espíritos, instrumentos mais ou menos flexíveis e mais ou menos cômodos.
Para certos Espíritos, dissemos, porque eles também têm suas preferências, fundadas em razões que nem sempre conhecemos. Assim, o mesmo Espírito será mais ou menos explícito, segundo o médium que lhe serve de intérprete e, sobretudo, segundo o hábito que tenha de utilizá-lo. Além disso, é certo que um Espírito que se comunica frequentemente pela mesma pessoa o faz com mais facilidade que outro que venha pela primeira vez. A emissão do pensamento pode, pois, ser entravada por várias causas; mas, quando é o mesmo Espírito, o fundo do pensamento é o mesmo, embora a forma seja diferente, e o observador atento poderá reconhecê-lo com facilidade por certos traços característicos.
A propósito, relataremos o fato seguinte:
O Espírito de um soberano, que representou no mundo um papel preponderante, foi chamado a uma de nossas reuniões. Começou por um ato de cólera, rasgando o papel e quebrando o lápis. Sua linguagem estava longe de ser benevolente, porque sentia-se humilhado por estar entre nós. Ele perguntou se julgávamos que ele deveria rebaixar-se a ponto de responder às nossas perguntas. Contudo concordava que, se o fazia, era como que fosse constrangido e obrigado por uma força superior à sua; mas que, se isto dele dependesse, não o faria.
Um dos nossos correspondentes na África, que não tinha nenhum conhecimento do fato, escreveu-nos que, numa reunião em que tomara parte, quiseram evocar o mesmo Espírito. Em todos os pontos sua linguagem foi idêntica. Disse ele: “Credes que eu viria voluntàriamente a esta casa de negociantes, que talvez um dos meus criados não quisesse habitar? Não vos respondo. Isto me lembra o meu reino, onde era feliz e tinha autoridade sobre todo o meu povo. Agora devo submeter-me.” O Espírito de uma rainha, que em vida não se distinguira pela bondade, assim respondeu no mesmo grupo: “Não me interrogueis mais, pois me aborreceis. Se ainda tivesse o poder que tinha na Terra, eu vos faria arrepender-se muito, mas agora que nada posso sobre vós, zombais de mim e da minha miséria. Sou muito infeliz !“ Não temos aqui um curioso estudo dos costumes espíritas?
Palestras familiares de além-túmulo
1. (Evocação).
─ Eis-me aqui. Falai.
2. ─ Prometestes voltar a ver-nos e aproveitamos a ocasião para vos pedir algumas explicações complementares.
─ Com prazer.
3. ─ Depois da vossa morte assististes a alguns combates?
─ Sim, ao último.
4. ─ Quando, como Espírito, sois testemunha de um combate e vedes os homens se estraçalharem, experimentais algum sentimento de horror, como nós experimentaríamos se assistíssemos a cenas semelhantes?
─ Sim, eu o experimentava, mesmo como homem, mas então o respeito humano recalcava esse sentimento como indigno de um soldado.
5. ─ Há Espíritos que sentem prazer vendo essas carnificinas?
─ Poucos.
6. ─ Ao verem isso, que sentimentos experimentam os Espíritos de uma ordem superior?
─ Grande compaixão; quase desprezo. Aquilo que vós mesmos experimentais ao verdes os animais se dilacerarem entre si.
7. ─ Assistindo a um combate e vendo homens morrerem, testemunhais a separação entre a alma e o corpo?
─ Sim.
8. ─ Nesse momento vedes dois indivíduos, o Espírito e o corpo?
─ Não. Que é então o corpo?
─ Mas nem por isso o corpo deixa de estar lá, e ele deve ser distinto do Espírito.
─ Um cadáver, sim, mas não é mais um ser.
9. ─ Qual a aparência que tem então o Espírito?
─ Leve.
10. ─ O Espírito afasta-se imediatamente do corpo? Peço-vos a fineza de descrever tão explicitamente quanto possível as coisas como se passam e como nós as veríamos, se fôssemos testemunhas.
─ Há poucas mortes realmente instantâneas. A maior parte do tempo o Espírito cujo corpo foi atingido por uma bala ou uma granada, diz a si mesmo: “Vou morrer, pensemos em Deus e no céu. Adeus, Terra que eu amava”. Depois desse primeiro
sentimento, a dor o arranca do corpo, e é então que podemos distinguir o Espírito que se move ao lado do cadáver. Isto parece tão natural que a vista do corpo morto não produz efeito desagradável. Tendo sido toda a vida transportada para o Espírito, só ele chama a atenção; é com ele que conversamos; a ele é que damos ordens.
OBSERVAÇÃO: Poderíamos comparar esse efeito ao que é produzido por um grupo de banhistas. O espectador não presta nenhuma atenção às roupas que deixaram à beira d’água.
11. ─ Geralmente, surpreendido por uma morte violenta, durante algum tempo o homem não se julga morto. Como se explica a sua situação, e como pode ele ter ilusões, desde que deve sentir muito bem que o seu corpo não é mais material e resistente?
─ Ele o sabe e não tem ilusão.
OBSERVAÇÃO: Isto não é perfeitamente exato. Sabemos que há Espíritos que em certos casos têm essa ilusão e julgam não estar mortos.
12. ─ No fim da batalha de Solferino desabou uma violenta tempestade. Foi por uma circunstância fortuita ou por um desígnio providencial?
─ Toda circunstância fortuita é resultado da vontade de Deus.
13. ─ Essa tempestade tinha um objetivo? Qual seria ele?
─ Sim, por certo: cessar o combate.
14. ─ Foi provocada no interesse de uma das partes beligerantes? Qual delas?
─ Sim, sobretudo para os nossos inimigos.
─ Por quê? Poderíeis explicar-vos mais claramente?
─ Perguntais-me por quê? Não sabeis que, sem essa tempestade, nossa artilharia não teria deixado escapar nenhum austríaco?
15. ─ Se essa tempestade foi provocada, deve ter tido agentes que a provocaram. Quais foram eles?
─ A eletricidade.
16. ─ Esse é o agente material, mas há Espíritos que têm por atribuição conduzir os elementos?
─ Não. Basta a vontade de Deus. Ele não necessita de auxiliares tão comuns. (Vide mais adiante o artigo sobre as tempestades).
1. (Evocação)
─ Estou convosco.
2. ─ A Sra. J... nos disse que vos tínheis comunicado espontaneamente com ela. Com que intenção o fizestes, uma vez que ela não vos havia chamado?
─ Ela é que me traz até aqui. Eu desejava ser chamado por vós e sabia que indo à casa dela seríeis informados e provavelmente me evocaríeis.
3. ─ Dissestes a ela que estáveis acompanhando as operações militares na Itália. Isto é natural. Poderíeis dizer-nos o que pensais a respeito?
─ Elas produziram grandes resultados. Em meu tempo a gente se batia mais longamente.
4. ─ Assistindo a essa guerra, tendes um papel ativo?
─ Não, simples espectador.
5. ─ Outros generais do vosso tempo lá estiveram convosco?
─ Sim, bem o podeis supor.
6. ─ Poderíeis apontar alguns?
─ Seria inútil.
7. ─ Dizem-nos que Napoleão I estava presente, o que não é difícil de acreditar. Quando das primeiras guerras da Itália, ele era simples general. Poderíeis dizer-nos se nessa guerra ele via as coisas do ponto de vista do general ou do imperador?
─ De ambos, além de um terceiro: do diplomata.
8. ─ Quando vivo, vosso posto era quase igual ao dele. Como depois da vossa morte ele subiu muito, poderíeis dizer-nos se, como Espírito, o considerais como vosso superior?
─ Aqui reina a igualdade. O que quereis saber com isso?
OBSERVAÇÃO: Sem dúvida ele entende como igualdade que os Espíritos não levam em conta as distinções terrenas, com as quais de fato pouco se preocupam e que nada vale entre eles, mas a igualdade moral está longe de existir ali. Há entre eles uma hierarquia e uma subordinação, baseadas nas qualidades adquiridas, e ninguém pode subtrair-se ao ascendente daqueles que são mais elevados e mais puros.
9. ─ Acompanhando as peripécias da guerra, prevíeis a paz tão próxima?
─ Sim.
10. ─ Isto era para vós simples previsão ou tínheis um conhecimento prévio e
certo?
─ Não; me haviam dito.
11. ─ Sois sensível à lembrança que de vós guardamos?
─ Sim, mas eu fiz tão pouco.
12. ─ Vossa viúva acaba de morrer. Vós a encontrastes imediatamente?
─ Eu a esperava. Hoje vou deixá-la. A existência me chama.
13. ─ É na Terra que deveis ter uma nova existência?
─ Não.
14. ─ O mundo para onde devereis ir nos é conhecido?
─ Sim. Mercúrio.
15. ─ Esse mundo é moralmente superior ou inferior à Terra?
─ Inferior. Eu o elevarei. Contribuirei para fazê-lo classificar-se melhor.
16. ─ Já conheceis esse mundo para onde deveis ir?
─ Sim, muito bem. Talvez melhor do que o conhecerei quando habitá-lo.
OBSERVAÇÃO: Esta resposta é perfeitamente lógica. Como Espírito, ele vê o mundo na sua plenitude. Como encarnado, vê-lo-á do ponto de vista restrito da sua personalidade e da posição social que ocupar.
17. ─ Do ponto de vista físico, os habitantes desse mundo são tão materiais quanto os da Terra?
─ Sim, completamente. E mais ainda.
18. ─ Fostes vós que escolhestes esse mundo para vossa nova existência?
─ Não, não. Eu teria preferido uma terra calma e feliz. Lá encontrarei torrentes de mal a combater e os furores do crime a punir.
OBSERVAÇÃO: Quando nossos missionários cristãos vão aos povos bárbaros para tentar fazer que neles penetrem os germes da civilização, não desempenham uma função análoga? Por que então nos admirarmos de que um Espírito elevado vá a um mundo atrasado, com o fito de fazê-lo progredir?
19. ─ Essa existência vos é imposta por constrangimento?
─ Não. Foi-me aconselhada. Fizeram-me compreender que o destino, a Providência, se assim quiserdes, ali me chamava. É como a morte antes de subir ao Céu. É preciso sofrer e, infelizmente, eu não sofri o bastante.
20. ─ Sois feliz como Espírito?
─ Sim, sem dificuldades.
21. ─ Quais foram as vossas ocupações como Espírito, desde o momento em que deixastes a Terra?
─ Visitei o mundo, a Terra inteira. Isto exigiu um período de alguns anos. Aprendi as leis que Deus emprega para conduzir todos os fenômenos que contribuem para a vida terrena. Depois, fiz o mesmo em diversas outras esferas.
22. ─ Nós vos agradecemos por terdes de bom grado atendido ao nosso apelo.
─ Adeus. Não me vereis mais.
O Sr. J..., negociante do departamento de La Sarthe, falecido a 15 de julho de 1859, era, sob todos os pontos de vista, um homem de bem e de uma caridade sem limites. Tinha feito um estudo sério do Espiritismo e era um de seus fervorosos adeptos. Como assinante da Revista Espírita, estava em contato indireto conosco, sem que nos tivéssemos visto. Evocando-o, temos como objetivo não só corresponder ao desejo de seus parentes e amigos, como de lhe dar pessoalmente um testemunho de nossa simpatia e agradecer-lhe as gentilezas que ele dizia e pensava a nosso respeito. Além disso, era para nós motivo de estudo interessante, do ponto de vista da influência que pode ter o conhecimento aprofundado do Espiritismo sobre o estado da alma depois da morte.
1. ─ (Evocação).
─ Aqui estou há muito tempo.
2. ─ Jamais tive o prazer de ver-vos. Não obstante, vós me reconheceis?
─ Reconheço-vos muito bem, visto que frequentemente vos visitei e tive mais de uma conversa convosco, como Espírito, durante a minha vida.
OBSERVAÇÃO: Isto confirma o fato muito importante, do qual temos numerosos exemplos, das comunicações que entre si têm os homens, sem o saberem, durante a vida. Assim, durante o sono do corpo, os Espíritos viajam e se visitam reciprocamente. Despertando, conservam intuição das ideias que adquiriram nessas conversas ocultas, e cuja fonte ignoram. Desta maneira, temos durante a vida uma existência dupla: a corporal, que nos dá a vida de relação exterior, e a espírita, que nos dá a vida de relação oculta.
3. ─ Sois mais feliz do que na Terra?
─ E sois vós que me perguntais?
4. ─ Compreendo. Entretanto, desfrutáveis de uma fortuna honradamente adquirida, que vos proporcionava os prazeres da vida. Tínheis a estima e a consideração granjeadas pela vossa bondade e vossa beneficência. Poderíeis dizernos em que consiste a superioridade de vossa felicidade atual?
─ Consiste naturalmente na satisfação que me proporciona a lembrança do pouco bem que fiz, e na certeza do futuro que ele me promete. Além disso, não levais em conta a ausência das inquietudes e dificuldades da vida; dos sofrimentos corporais e de todos esses tormentos que nós criamos para satisfazer às necessidades do corpo? Durante a vida, a agitação, a ansiedade, as angústias incessantes, mesmo em meio à fortuna. Aqui a tranquilidade e o repouso. É a calma depois da tempestade.
5. ─ Seis semanas antes de morrer, dizíeis ter ainda que viver cinco anos. De onde vinha essa ilusão, quando tantas pessoas pressentem a morte próxima?
─ Um Espírito benevolente queria afastar da minha mente esse momento que, sem o confessar, eu tinha a fraqueza de temer, embora soubesse do futuro do Espírito.
6. ─ Havíeis mergulhado profundamente na ciência espírita. Poderíeis dizer-nos se, ao entrar no mundo dos Espíritos, encontrastes as coisas como as imagináveis?
─ Quase exatamente iguais, exceto por algumas questões de detalhes que eu havia compreendido mal.
7. ─ A leitura atenta que fazíeis da Revista Espírita e do Livro dos Espíritos vos ajudaram bastante nisso?
─ Incontestavelmente. Foi isso principalmente o que preparou a minha entrada na verdadeira vida.
8. ─ Sentistes algum espanto quando vos encontrastes no mundo dos Espíritos?
─ Impossível que fosse de outro modo. Contudo, espanto não é bem o termo. Melhor seria dizer admiração. Estais muito longe de conceber uma ideia do que significa isto!
OBSERVAÇÃO: Aquele que antes de mudar-se para uma região a estudou nos livros; identificou-se com os costumes dos seus habitantes; verificou sua topologia e seu aspecto por meio de desenhos, de plantas e de descrições, fica sem dúvida menos
surpreso do que outro que não tem nenhuma ideia disso. Entretanto, a realidade lhe mostra uma porção de detalhes que não tinha previsto e que o impressionam. Devese dar o mesmo no mundo dos Espíritos, cujas maravilhas não podemos compreender totalmente, porque há coisas que ultrapassam o nosso entendimento.
9. ─ Deixando o corpo, vistes e reconhecestes imediatamente alguns Espíritos junto a vós?
─ Sim, e Espíritos queridos.
10. ─ Que pensais agora do futuro do Espiritismo?
─ Um futuro mais belo do que pensais, apesar da vossa fé e do vosso desejo.
11. ─ Vossos conhecimentos relativos a assuntos espíritas sem dúvida vos permitirão responder com precisão a algumas perguntas. Poderíeis descrever claramente o que se passou convosco no momento em que o corpo deu o último suspiro e o vosso Espírito se achou livre?
─ Pessoalmente, acho muito difícil encontrar um meio de vos explicar de maneira diferente da que já foi feita, isto é, comparando a sensação que a gente experimenta ao despertar de um sono profundo. Esse despertar é mais ou menos lento e difícil, na razão direta da situação moral do Espírito, e nunca deixa de ser fortemente influenciado pelas circunstâncias que acompanham a morte.
OBSERVAÇÃO: Isto está de acordo com todas as observações feitas sobre o estado do Espírito no momento de separar-se do corpo. Vimos sempre as circunstâncias morais e materiais que acompanham a morte reagirem poderosamente sobre o estado do Espírito, nos primeiros momentos.
12. ─ Vosso Espírito conservou a consciência de sua existência até o último momento e a recobrou imediatamente? Houve um momento de falta de lucidez? Qual foi a sua duração?
─ Houve um instante de perturbação, quase que imperceptível para mim.
13. ─ O momento de despertar teve algo de penoso?
─ Não, pelo contrário. Eu me sentia, se assim posso falar, alegre e disposto, como se respirasse ar puro ao sair de uma sala cheia de fumaça.
OBSERVAÇÃO: Comparação engenhosa, que só pode ser a pura expressão da verdade.
14. ─ Lembrai-vos da existência que tivestes antes desta que acabais de deixar? Como foi ela?
─ Lembro-me dela da melhor forma possível. Eu era um bom criado junto de um bom senhor que, em companhia de outros, me recebeu, à minha entrada neste mundo bem-aventurado.
15. ─ Creio que o vosso irmão se ocupa menos das questões espíritas do que vos ocupáveis.
─ Sim, eu farei alguma coisa para que ele tenha mais interesse, caso me seja permitido. Se ele soubesse o que a gente ganha com isso, dar-lhe-ia mais importância.
16. ─ O vosso irmão pediu ao Sr. D... que me comunicasse a vossa morte. Ambos esperam ansiosos o resultado de nossa conversa. Ficarão, entretanto, mais sensibilizados com uma mensagem direta de vossa parte, se quiserdes confiar-me algumas palavras para eles ou para outras pessoas que sentem a vossa falta.
─ Por vosso intermédio dir-lhes-ei o que eu mesmo teria dito, mas receio muito não ter mais influência junto a alguns deles, como outrora. Entretanto, em meu nome e no de seus amigos, que bem vejo, concito-os a refletir e estudar seriamente esta grave questão do Espiritismo, ainda que fosse tão somente pelo auxílio que ela traz para passar este momento tão temido pela maior parte das pessoas, e tão pouco temível para aquele que se preparou previamente pelo estudo do futuro e pela prática
do bem. Dizei-lhes que sempre estou com eles, em seu meio; que os vejo, e que serei feliz se suas disposições lhes puderem assegurar, no mundo onde me encontro, um lugar do qual não terão senão que se felicitarem. Dizei-o sobretudo ao meu irmão,
cuja felicidade é o meu mais profundo desejo, do qual não me esqueço, embora eu seja mais feliz que ele.
17. ─ A simpatia que tivestes a bondade de me testemunhar em vida, mesmo sem me conhecer, faz-me esperar que nos encontremos facilmente quando eu estiver em vosso meio. Até lá, serei feliz se quiserdes assistir-me nos trabalhos que me resta fazer para concluir a minha tarefa.
─ Julgais-me com muita benevolência. Não obstante, convencei-vos de que, se vos puder ser de alguma utilidade, não deixarei de fazê-lo, talvez mesmo sem que o suspeiteis.
18. ─ Agradecemos por terdes gentilmente atendido ao nosso apelo, e pelas instrutivas explicações que nos destes.
─ À vossa disposição. Estarei muitas vezes convosco.
OBSERVAÇÃO: Esta comunicação é incontestavelmente uma das que descrevem a vida espírita com a maior clareza. Oferece um poderoso ensino relativamente à influência que as ideias espíritas exercem sobre o nosso estado depois da morte.
Esta conversa parece haver deixado algo a desejar ao amigo que nos participou a morte do Sr. J..., pois nos disse: “Ele não conservou na linguagem o cunho de originalidade que tinha conosco. Manteve uma reserva que não observava com pessoa alguma. Seu estilo incorreto, brusco, revelava inspiração; ousava tudo; vencia quem quer que formulasse uma objeção às suas crenças; reduzia-nos a nada para nos converter. Em seu perfil psicológico não revela nenhuma particularidade das numerosas relações que tinha com uma porção de pessoas que frequentava. Todos nós gostaríamos de nos vermos citados por ele, não para satisfazer nossa curiosidade, mas para nossa instrução. Gostaríamos que nos tivesse falado claramente de algumas ideias por nós emitidas em sua presença, nas nossas conversas. A mim, pessoalmente, poderia ter dito se eu tinha ou não tinha razão de insistir em tal ou qual consideração; se aquilo que eu lhe havia dito era verdadeiro ou falso. Absolutamente não falou de sua irmã, ainda viva e tão digna de interesse”.
Depois desta carta evocamos novamente o Sr. J..., e lhe dirigimos as perguntas seguintes:
19. ─ Tendes conhecimento da carta que recebi em resposta à remessa da vossa evocação?
─ Sim, vi quando a escreviam.
20. ─ Teríeis a bondade de dar algumas explicações sobre certas passagens dessa carta e, como bem compreendeis, com um fim instrutivo, unicamente para me fornecer elementos para uma resposta?
─ Se o considerais útil, sim.
21. ─ Acham estranho que a vossa linguagem não tenha conservado o cunho da originalidade. Parece que em vida éreis esmagador na discussão.
─ Sim, mas o Céu e a Terra são muito diferentes e aqui eu encontrei mestres.
Que quereis? Eles me impacientavam com suas objeções absurdas. Eu lhes mostrava o Sol e não queriam vê-lo. Como conservar o sangue frio? Aqui não há necessidade de discutir; todos nos entendemos.
22. ─ Esses senhores admiram-se de que não os tenhais interpelado nominalmente para refutá-los, como fazíeis em vida.
─ Que se admirem! Eu os espero. Quando vierem juntar-se a mim, verão qual de nós está com a razão. Será preciso que venham para este lado, quer queiram, quer não queiram, e uns mais cedo do que pensam. Sua jactância cairá como a poeira abatida pela chuva. Sua bazófia... (Aqui o Espírito para e se recusa a concluir a frase).
23. ─ Eles inferem que não lhes demonstrais todo o interesse que tinham direito a esperar de vós.
─ Eu lhes desejo o bem, mas nada farei contra sua própria vontade.
24. ─ Também se admiram de que nada tenhais dito relativamente à vossa irmã.
─ Por acaso eles estão entre mim e ela?
25. ─ O Sr. B... gostaria que tivésseis dito algo que vos contou na intimidade. Para ele e para outros, isto teria sido um meio de esclarecimento.
─ Qual a vantagem de repetir o que ele sabe? Pensa que não tenho outra coisa a fazer? Não têm eles os mesmos meios de esclarecimento que eu tive? Que os aproveitem. Garanto-lhes que se sentirão bem. Quanto a mim, dou graças aos céus por me haverem enviado a luz que me franqueou o caminho da felicidade.
26. ─ Mas é esta luz que eles desejam e que seriam felizes se a recebessem de vós.
─ A luz brilha para todo mundo. Cego é aquele que não quer ver. Esse cairá no precipício e amaldiçoará a sua cegueira.
27. ─ Vossa linguagem me parece marcada por grande severidade.
─ Não me acharam eles muito brando?
28. ─ Nós vos agradecemos por terdes vindo e pelos esclarecimentos que nos destes.
─ Sempre ao vosso serviço, pois sei que é para o bem.
As tempestades - Papel dos Espíritos nos fenômenos naturais
─ Quase todas.
─ Mas é evidente. Isto não pode ser de outro modo. Deus não age diretamente sobre a matéria. Ele tem seus agentes dedicados em todos os graus da escala dos mundos. O Espírito evocado assim falou por ter um conhecimento imperfeito dessas leis, bem como das leis da guerra.
─ É tão pouco destituída de fundamento que está muito próxima da verdade.
─ Sim, e não tardareis muito a ter a explicação de tudo isso.
─ Esses Espíritos não moram positivamente na Terra, mas presidem e dirigem os fenômenos geológicos. Eles são de uma ordem completamente diversa.
─ Que estiveram e que estarão. Eu vos direi mais a respeito, dentro de pouco tempo, se quiserdes.
O lar de uma família Espírita
Aforismos Espíritas e pensamentos avulsos